sábado, 6 de janeiro de 2018

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
 já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
 o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fuigiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
que morrer no mar,
ma o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Bruxa

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que leem verso de Horário
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse nesse minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e calma.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me,
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Poema Patético

Que barulho é esse na escada?
É o amor que está acabando,
é o homem que fechou a porta
e se enforcou na cortina.

Que barulho é esse na escada?
É Guiomar que tapou os olhos e se assoou com estrondo.
É a lua imóvel sobre os pratos
e os metais que brilham na copa.

Que barulho é esse na escada?
É a torneira pingando água,
é o lamento imperceptvel
de alguém que perdeu no jogo
enquanto a banda de música
vai baixando, baixando de tom.

Que barulho é esse na escada?
É a virgem com um trombone,
a criança com u tambor,
o bispo com uma campainha
e alguém abafando o rumor
que salta de meu coração.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

"É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante"

Auggie, Extraordinário

"É tão estranho como uma noite pode ser a pior da sua vida, mas, para o restante das pessoas, ser apenas uma noite normal."

Auggie, Extraordinário

"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo."

Auggie, Extraordinário

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Li até a pág. 100 e... #13

Hello Galera!!!
Esse meme foi criado pela autora do blog Eu Leio,Eu Conto e qualquer pessoa pode participar. Você só tem que responder perguntas e contar as primeiras impressões da leitura ao chegar na página 100. Vamos lá?